Saturday, November 07, 2009

In class...






Ela: Ok, guys, what else can you tell me about this?



Eles: Droughts! Floods! Hurricanes! Ozone layer depletion!



Ela: Come on, class, what else?



Eles: hmm... hmm...



Ela: What else?



Ele: Nespresso time?



Wednesday, November 04, 2009

My coat of many colo(u)rs...

Há alturas em que "quero a minha mãe"... Esta é uma delas.

Saturday, October 31, 2009

Inesperado fim de dia...

A fábula do porco-espinho

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram juntar-se em grupos, porque assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente. Mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. Por isso, decidiram afastar-se uns dos outros e voltaram a morrer congelados. Então precisavam de fazer uma escolha: ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos... Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor um do outro... E assim sobreviveram.
Moral da História: o melhor de um relacionamento não é o que une pessoas perfeitas, mas aquele em que cada um aprende a conviver com os seus defeitos e os defeitos do outro e a admirar as suas qualidades.

Wednesday, October 28, 2009

Ontem...

Foi um dia bom. Muito. E só à conta de uns minutos matutinos.

Sunday, October 25, 2009

Também eu...

“Tenho saudades de deitar a cabeça no colo da minha avó só para ela me fazer festas no cabelo. Muitas vezes sinto que ainda preciso dela para isso”. - António Lobo Antunes em entrevista a Judite de Sousa

As paredes que me confessam

O meu pediatra, o Dr. A - que é daqueles que desejamos para os nosso filhos e sobrinhos e pequenitos de quem muito gostamos, está igual: a mesma atenção, o mesmo ar despistado quase à Professor Pardal, o mesmo sorriso, a mesma voz, a mesma calma, a mesma atenção às mães nervosas e aos pais inquietos, o mesmo homem de mãos ternas. Mesmo depois de tantos anos passados. Mas o consultório do meu pediatra está bem diferente. Diferente lugar, diferente tinta nas paredes, diferentes tons... e toda a família Pan a navegar pelas paredes. Sininho, Wendy, Michael, Peter. E o menino Peter Pan que me faz questionar a simbologia na minha visita de ontem.

Saturday, October 24, 2009

Nada como um sábado de manhã...

... com uma consulta no pediatra. Só para reviver tempos idos.
A primeira coisa que me perguntou? A idade!!!

Friday, October 23, 2009

E se se deixassem ouvir uma vez por outra?

"O bom do escudeiro ajuda a velhinha a atravessar a estrada, embora não seja nada evidente que a velhinha quisesse atravessar a estrada. Mas uma boa acção nunca pede licença."
- Pedro Mexia em Ler Outubro 2009

Thursday, October 22, 2009

Like water, like breath, like rain...

Wednesday, October 21, 2009

O dia acordou choroso

Tapei o espelho do espaço. Demasiado espaço de reflexo para o que não se quer ver. Há coisas que não vale a pena sequer espreitar. Pelo menos não hoje. O vazio afinal também se espelha e vê-lo ali é tomar consciência de que é. No chão, a alcatifá-lo, as roupas de ontem, as compras desta manhã, papéis importantes em qualquer coisa e a minha sombra enegrecida pelo dia. Mais roupas. Mais calçado. Mais papéis. Mais sombras. Tudo isso é chão. E eu sou tudo isso. Em toda essa bagunça.

Sunday, October 18, 2009

Tretas

Thursday, October 15, 2009

Hoje não tenho mais nada a dizer

A saudade aperta. Muito.

Wednesday, October 14, 2009

Susto

Há coisas que me inquietam o coração. O medo é uma delas. É um desconforto contínuo e perpétuo, um acordar sem chegar a adormecer, um pesadelo que se carrega sem escolha, um sofrer antecipado num presente que se galga ao futuro.

Tuesday, October 13, 2009

Objectivas

A minha paixão pela fotografia ressuscitou num daqueles dias em que o sol me estala na cara ao acordar quase em sobressalto. É o primeiro flash do dia num dia que não necessita de flashes. É um dia como tantos outros, seja lá o que isso quer dizer. É ter mil e um olhos bem observadores quando os meus dois desejam por instantes fechar-se. Mas estaria agora capaz de nesse embalo passar horas a fotografar os peixes que se perdem nas voltas limitadas a uma mesmo aquário, o livro mais recentemente lido no meu novo chão, as pessoas que desconheço e que me são vultos sem identidade, as saudades que sinto e no meu corpo se materializam, cada pormenor desse sorriso que conheço tão bem. Tenho a câmara ligada e os olhos velados pelo instante em que se dispara. Hoje fotografaria até aqueles a quem chamam vândalos, esses mesmos com quem eu me sento à mesa umas quantas vezes por semana e com quem ganho algum tempo... e, por vezes, dores de cabeça.

Monday, October 12, 2009

Do calor

Ai, aqueles minutos esta manhã... Aqueles minutos... Obrigada.

Sunday, October 11, 2009

À lei do chumbo pelas pernas

Avisa-se a quem idiota de direito e dever que em nada agradam as armadilhas espalhadas pela fazenda da senhora minha avó, apresentando-se desde já desagrado com justificação própria e pessoal:
1. Trata-se de propriedade privada: lá que andem a caçar passarinhos e coelhinhos na fazenda dos outros ainda se fecham os olhos - mesmo se só por dificuldades em controlar a situação, mas javalis já é demasiado;
2. As armadilhas nunca são boa ideia, principalmente quando uma jovem-mulher-também-da-cidade se lembra de, antes de regressar à capital, apanhar umas quantas azeitonas de mesa para retalhar e não deseja absolutamente (e sublinhe-se a palavra "absolutamente") perder uma das pernas. Afinal, não só a fazenda é da senhora minha avó como as pernas são minhas.
Por nada mais haver a acrescentar fica o aviso ao caçador, idiota de direito e de dever, que eu também dou chumbos. Sempre que necessário e/ou obrigatório enquanto resultado da acção ou não acção de outro.

Saturday, October 10, 2009

Blues

Ontem passaste na névoa de um casaco branco que vestias, no levantar da minha cabeça que prendera pelo enjoo da minha própria tristeza baixa sobre o colo, nesta minha incerteza de que tudo terá sido verdadeiramente real. Mas o meu coração bateu mais forte. Bateu-me no peito. Bateu-me nas pernas. Bateu-me nas mãos. Bateu-me nos dentes. Todo o meu corpo cansado em vida respondeu a ti.
Passaste na névoa do teu casaco branco naquela tarde que me parecia infindável e desejei que aqueles segundos em que te olhei fossem mais infindáveis que qualquer tarde assim. Os ponteiros do meu relógio retardaram como os da minha vida desde um dia. Atrasados. Como eu para um dia que se sonha até mesmo sem olhos fechados. E nessa noite, como em todas as outras, dormes a meu lado, no meu abraço, na batida que ainda sinto agora em cada uma das minhas veias, que batem no teu passo compassado e no compasso da música que se ensaia para o concerto desta noite. Também isso é vida. Como os blues, como o folk, como o country que esta noite, bem menos que tu quando ontem passaste na névoa de um casaco branco que vestias, me encherão o corpo sob os focos de luz. Também isso é vida.

Friday, October 09, 2009

Foi a 6 de Outubro

Uma destas tardes estive com ML. Ouvi-a. Atentamente. Senti-me como se lesse cada uma das suas palavras. São poucas as pessoas que se expressam assim, daquela maneira suave e determinada com que falava, decidida de conhecimento e sugestiva das maiores verdades. Senti-me como se tudo o que li por ela escrito até àquele momento nada mais fosse que palavras que ali, naquele filme ainda a negro e fragmentado de uma década qualquer mais antiga, ganhavam a vida da voz que as preenchia. Será essa uma das maiores verdades, talvez: há palavras que só ganham valor na voz que lhes dá vida; outras que de tão em surdina esperam a oportunidade de um dia aparecer.

Wednesday, October 07, 2009

Nada a declarar

Estes têm sido daqueles dias em que teria tanto a contar-te. Naquele entusiasmo que tão bem conheces e eu já não (re)conheço em mim. E esses dias agora passaram e nada mais há a contar.

Monday, October 05, 2009

No selim

As manhãs continuam a gritar-se estivais ou de uma primavera descoordenada porque adiantada no tempo. O D esta manhã pediu-me, do alto dos seus oito anos intensamente vividos, que me montasse na bicicleta e atravessasse todo o percurso com ele. Eu do baixo das minhas décadas senti necessidade de pensar se seria possível sem vergonha, mas no mesmo instante puxei do guiador, aperaltei o monta-cargas e descolei paralela ao D. Agora sinto toda a viagem alucinante por entre casas e fazendas em cada músculo do meu corpo, mas numa vontade estranha de voltar a repetir a dose enquanto as manhãs se gritarem. E o D, esse, está sempre pronto para pedaladas e jogos de bola e groselhas frescas e mimo - enfim, está sempre pronto para a vida.

Sunday, October 04, 2009

Sim, Agustina, longos dias têm cem anos

Agustina diz que longos dias têm cem anos. Os meus são hoje longos e sem anos. São daqueles que passam sem passar, sem sentirmos nada de nada porque sentimos de tudo. Tenho hoje dias de sol em que chove, momentos em que o voo das abelhas nas flores que me cobrem os cabelos me cegam de sons constantes aliterativos. Fazem zzzzzzz e zzzzzzz e esvaziam-me nesse enfadonho. Sinto que vivo assim cem anos nesses sem anos que ainda não vivi. É a publicidade que as abelhas fazem de mim mesma.

Saturday, October 03, 2009

I don't cost a dime...

Friday, October 02, 2009

Nhac!!!

Sim, tenham pena de mim. Muita. Estou a tomar diariamente e mais do que uma vez óleo de fígado de bacalhau. Ainda só não lhe descobri o noticiado sabor a banana...

Thursday, October 01, 2009

Apontamento

O A Pequeno estreou-se na escola dos mais pequeninos. Sem choro lá ficou vaidoso no seu bibe.

Wednesday, September 30, 2009

Carta fechada

Gosto do teu irmão. Porque gosto. Por não haver forma de não gostar.
Gosto de todas as coisas nele e dele em todas as coisas. Gosto de todos os sentidos e do seu sentir. Gosto do Verbo maior de quatro letras que nele faz sentido. Gosto porque gosto.
Gosto de todas as coisas pequenas: perfume, relógio, do jazz, dos Santos, do Avilez. Todas as pequenas coisas ganham a sua importância porque nele. Também por isso eu gosto.
Gosto principalmente das grandes coisas, das maiores, das melhores: do fim do dia na Avenida e de uma bola cheia de beijo, do molhado da relva do jardim num concerto a dois, dos haagen daz derretidos pelo esturricar do sol, das conversas inesperadas, do fresco dos degraus, dos ponteiros que (ainda hoje) marcam sempre a mesma hora, das manhãs que acordam solarengas e ofuscam uma conta que quase fica por pagar... Gosto, sim, do sorriso silencioso e do riso inesperadamente cantante, dos olhos que me espelham cuidadosamente, da voz que me fala e da atenção que me ouve. Gosto de tudo aquilo que a vida não lhe consegue roubar.
Gosto do teu irmão. Porque gosto. Gosto dessa parte de mim.

Tuesday, September 29, 2009

A (com)passo

Hoje o A Pequeno começou a subir escadas em um tempo apenas. Até esta manhã os dois tempos eram uma constante: primeiro um pé, depois o outro a seu lado; degrau seguinte e um pé e depois o outro a seu lado. Hoje o A Pequeno colocou um pé no primeiro degrau, sorriu-me naquele seu ar maroto de quem está prestes a atrever-se e no degrau seguinte colocou o pé que ficara para trás. A perna bem esticada. A tentativa bem conseguida. O sorriso de quem se apercebeu de ter cometido mais um grande feito. Apetece-me dizer-lhe que não queira ser adulto tão rapidamente, que nem sempre é bom sairmos do mundo de Peter Pan, que os fantasmas são mais aterradores quando se é crescido e os obstáculos são bem mais difíceis de ultrapassar que a altura de um degrau. Mas deixei-me ficar calada. Olhei-o. Tentei sorrir, como não há já algumas semanas. E eu sei que ele viu nessa minha tentativa não muito bem conseguida o orgulho que sinto dos seus grandes pequenos feitos.

Monday, September 28, 2009

Da gaveta de papéis


Sim...
"Gruas no cais descarregam mercadorias e eu amo-te.
Homens isolados caminham nas avenidas e eu amo-te.
Silêncios eléctricos faíscam dentro das máquinas e eu amo-te.
Destruição contra o caos, destruição contra o caos, e eu amo-te.
Reflexos de corpos desfiguram-se nas montras e eu amo-te.
Envelhecem anos no esquecimento dos armazéns e eu amo-te.
Toda a cidade se destina à noite e eu amo-te."

Sunday, September 27, 2009

...

Há alturas em que não aguento que as pessoas olhem para mim.

Saturday, September 26, 2009

Na Guerra Fria o agente é a Gripe A

Tento ensinar ao A Pequeno o melhor de mim. Tenho uma série de chavões em defesa e orgulho-me de ver o rapaz feliz quando lhe gabam a qualidade. Não contava com a Gripe A e menos ainda com a resposta das pessoas a ela. Hoje dei de caras com o corpo curvado de uma mulher que, minuciosamente, limpava a máquina de fotografias do metro com toalhetes; com uma jovem de manga de camisola na passagem do torniquete com que não queria ter contacto; e garanto-vos que nunca vira tanta mão a ser lavada numa casa de banho pública como esta manhã. E tudo isto no caminho para mais um dia de trabalho...
A cereja no topo do bolo do dia foi quando no Jardim o A Pequeno engraçou com um grupo de miúdos, na hora do lanche quis com eles partilhar as bolachas - gesto que as mães tanto apreciaram até... ao simples momento em que uma das crianças decidiu roubar a garrafa de água do A Pequeno e maldosamente meter o gargalo à boca. No segundo seguinte só tive tempo de ouvir a mãe afirmar a sua indignação com o comportamento da sua cria menor de seis anos, uma criança com ar de assustada cujo único crime teria sido ter sede. Em menos de nada haviam ido embora. Atrás dela todas as outras mães e crianças. E o A Pequeno ficou sozinho, comigo, estupefacta como uma não autorizada pinga de água consegue desconsertar toda uma crise social...

Thursday, September 24, 2009

Aiiiiii!

Não gosto de dor de garganta.

Tuesday, September 22, 2009

O mundo na verdade não vive sem heróis...

Há pouco respirei melhor durante pouco mais que dois minutos. A duração de um telefonema. Hoje é um dia importante. E quando antes descia a rua com o A Pequeno pela mão, olhou-me daqueles olhos bonitos, sorriu, beijou-me a mão e disse-me feliz encostadinho a ela: "és muito fofa!". Depois apercebeu-se que havíamos chegado ao mundo dos baloiços e dos escorregas, soltou-se, correu para a portinhola e, quando dei conta, andava já a defender uma menina polaca empurrada pelos rufias de quatro anos. O mundo na verdade não vive sem heróis...

Monday, September 21, 2009

Da força das pernas

A sensação de mal respirar é atrofiante. Sabemos que os pulmões funcionam, sentimos que o coração vai batendo e nada criamos de obstáculo junto às narinas. Mas a sensação de mal respirar é atrofiante. Em alguns momentos acentua-se e já em outros aparentemente melhora. Quando nos confrontamos com o outro há um click que não se sente e não se vê, mas que nos faz disparar em cada poro uma tentativa de máscara. Não é uma máscara de oxigénio, mas a suficiente para quem a olha acreditar ser credível e respeitar sem questionar. Mas a verdade é que no fim de tudo isto a sensação de mal respirar é atrofiante.

Friday, September 18, 2009

A linha do papel vegetal é boa

Quando colegas me chamam linha e papel vegetal pelos seis quilogramas que perdi em pouco tempo, o A Pequeno acarinhando-me diz que eu sou boa. Não sei se chore ou se ria. Beijei-o e ele sorriu pelos dois. Logo o dia ficou mais bonito.

Thursday, September 17, 2009

De cabeça torta para disfarçar

Não é nada bom procedimento, mesmo se por distracção, sentar em cima dos óculos.

Wednesday, September 16, 2009

Vivo numa camarata

Sempre pensei que como filha única a minha partilha de quarto fosse com o Amor da minha vida. Ainda não. Hoje vivo numa camarata de quatro. Felizmente sem ressonos. Nenhum até agora se queixou. Um chama-se Tobias. Estou certa disso. Os outros dois, segundo o A Pequeno, respondem a Popi e Papi. São todos iguais: o mesmo vermelho, a mesma ligeireza pela água, a mesma fome quando o A Pequeno lhes dá flocos coloridos e cheirosos. Mas pela proximidade dos nomes estou certa que, provavelmente, só estes dois serão gémeos. Há duas noites que os observo. A minha insónia participa no crescimento da conta da luz, mas permite-me controlar as movimentações nocturnas da camarata de forma discreta. Alguém me sabe dizer se estarão de insónia como eu ou se os peixes não dormem?

Monday, September 14, 2009

Zeta

Sete dias passaram.

Os meus dias não se desvelam luminosos, mas teimosamente nascem e me obrigam a sair da cama. Não exigem sorrisos; nem o poderiam. Não exigem forças, mas compensam-se pelo esforço do tentar. Não me pedem garra e aceitam a apatia de cada batida cardíaca.

As minhas noites não se desfazem mais em minutos felizes e horas de sonho, mas teimosamente continuo a sussurrar-me que talvez não faça mal sonhar. Só ainda não consigo sonhar. Nem sei se conseguirei... Sinto-me um Picasso escorrido.


Sete dias passaram com telefonemas e mensagens e e-mails e gente na minha porta e na minha sala e no meu quarto quando não me apetecia sair dele. O A Grande aparece em "busca de companhia" a cada refeição... e eu assim até como alguma coisa, fingindo não saber que é a mim quem procura neste emaranhado do meu olhar triste - sim, esses mesmos olhos que dizem que espelham a alma, os mesmos que me condenam sempre nas minhas emoções. O N liga de todo o lado e diz-me que descanse, talvez por acreditar que dormir repara todo o corpo - eu sou a prova provada que não, porque tudo em mim dói. Em sete dias já me perdi no caminho para casa, já fui à praia, já caí, já esfolei joelho e braços, já enegreci partes do meu corpo fisicamente machucadas e não me lembro de ter sorrido uma única vez. Mas em sete dias voltei às minhas salas, à poesia de Cristovão Falcão que me faz bem. E em sete dias o meu pai achou que salvei o mundo nos sete segundos da caminhada até ao lixo quando o chão era tão mais próximo, em sete dias a minha mãe mediu vezes sem conta - e como se eu não desse por isso - a proximidade dos meus ossos à pele e nos mesmos sete dias fiz o A Pequeno desembrulhar-se em sorrisos de felicidade com a simples ideia de que eu lhe havia enviado beijinhos.


Mas eu prometi-lhe. E eu nunca prometo nada a quem amo que não cumpra. Por muito que me custe. E desta vez quebra-se a cada segundo mais um pouco de mim. Mas eu tento. E avanço. Ou pelo menos tento. Na verdade, nem sei.
Passeio de manhã. Passeio à tarde. Passeio à noite. Entre cada passeio (sobre)vivo. Dizem que trabalho; eu aposto apenas que (sobre)vivo. A cada passo dado mantenho-me distante de mim. Ou penso que sim. Ou acredito que sim. Mesmo se me obrigando a acreditar como me obrigo a comer por um dia ter igualmente prometido em outras terras o mesmo a uma outra alguém que amo como a uma irmã. Passeio de manhã, à tarde e à noite e no vento que me bate na cara acredito estar um pouco mais perto do que quero estar perto e ter por perto, do que sinto, do que desejo, do que sou. Prometi-lhe. E eu nunca prometo nada a quem amo que não cumpra. Por muito que me custe. Pelo menos tento sempre. Por nós. Por te ter comigo sempre. Por viveres em mim em cada batida de um coração - o meu, o nosso, um só coração num corpo de duplicidades. E eu hei-de conseguir. Nós havemos de conseguir. Nós somos mais fortes. Nós somos fortes. Eu e tu. Verdadeiramente. E eu espero...

Tuesday, September 08, 2009

( )

Entre todos os espíritos que habitam a casa onde vivo, há vinte e quatro horas que existe mais um. Eu. Lamento dizer-vos que o vazio não escreve nem (se) partilha e por isso não sei quando nos encontraremos. Não levem a mal. Não é por mal. É só por tristeza. Fiquem bem.