Wednesday, September 30, 2009

Carta fechada

Gosto do teu irmão. Porque gosto. Por não haver forma de não gostar.
Gosto de todas as coisas nele e dele em todas as coisas. Gosto de todos os sentidos e do seu sentir. Gosto do Verbo maior de quatro letras que nele faz sentido. Gosto porque gosto.
Gosto de todas as coisas pequenas: perfume, relógio, do jazz, dos Santos, do Avilez. Todas as pequenas coisas ganham a sua importância porque nele. Também por isso eu gosto.
Gosto principalmente das grandes coisas, das maiores, das melhores: do fim do dia na Avenida e de uma bola cheia de beijo, do molhado da relva do jardim num concerto a dois, dos haagen daz derretidos pelo esturricar do sol, das conversas inesperadas, do fresco dos degraus, dos ponteiros que (ainda hoje) marcam sempre a mesma hora, das manhãs que acordam solarengas e ofuscam uma conta que quase fica por pagar... Gosto, sim, do sorriso silencioso e do riso inesperadamente cantante, dos olhos que me espelham cuidadosamente, da voz que me fala e da atenção que me ouve. Gosto de tudo aquilo que a vida não lhe consegue roubar.
Gosto do teu irmão. Porque gosto. Gosto dessa parte de mim.

Tuesday, September 29, 2009

A (com)passo

Hoje o A Pequeno começou a subir escadas em um tempo apenas. Até esta manhã os dois tempos eram uma constante: primeiro um pé, depois o outro a seu lado; degrau seguinte e um pé e depois o outro a seu lado. Hoje o A Pequeno colocou um pé no primeiro degrau, sorriu-me naquele seu ar maroto de quem está prestes a atrever-se e no degrau seguinte colocou o pé que ficara para trás. A perna bem esticada. A tentativa bem conseguida. O sorriso de quem se apercebeu de ter cometido mais um grande feito. Apetece-me dizer-lhe que não queira ser adulto tão rapidamente, que nem sempre é bom sairmos do mundo de Peter Pan, que os fantasmas são mais aterradores quando se é crescido e os obstáculos são bem mais difíceis de ultrapassar que a altura de um degrau. Mas deixei-me ficar calada. Olhei-o. Tentei sorrir, como não há já algumas semanas. E eu sei que ele viu nessa minha tentativa não muito bem conseguida o orgulho que sinto dos seus grandes pequenos feitos.

Monday, September 28, 2009

Da gaveta de papéis


Sim...
"Gruas no cais descarregam mercadorias e eu amo-te.
Homens isolados caminham nas avenidas e eu amo-te.
Silêncios eléctricos faíscam dentro das máquinas e eu amo-te.
Destruição contra o caos, destruição contra o caos, e eu amo-te.
Reflexos de corpos desfiguram-se nas montras e eu amo-te.
Envelhecem anos no esquecimento dos armazéns e eu amo-te.
Toda a cidade se destina à noite e eu amo-te."

Sunday, September 27, 2009

...

Há alturas em que não aguento que as pessoas olhem para mim.

Saturday, September 26, 2009

Na Guerra Fria o agente é a Gripe A

Tento ensinar ao A Pequeno o melhor de mim. Tenho uma série de chavões em defesa e orgulho-me de ver o rapaz feliz quando lhe gabam a qualidade. Não contava com a Gripe A e menos ainda com a resposta das pessoas a ela. Hoje dei de caras com o corpo curvado de uma mulher que, minuciosamente, limpava a máquina de fotografias do metro com toalhetes; com uma jovem de manga de camisola na passagem do torniquete com que não queria ter contacto; e garanto-vos que nunca vira tanta mão a ser lavada numa casa de banho pública como esta manhã. E tudo isto no caminho para mais um dia de trabalho...
A cereja no topo do bolo do dia foi quando no Jardim o A Pequeno engraçou com um grupo de miúdos, na hora do lanche quis com eles partilhar as bolachas - gesto que as mães tanto apreciaram até... ao simples momento em que uma das crianças decidiu roubar a garrafa de água do A Pequeno e maldosamente meter o gargalo à boca. No segundo seguinte só tive tempo de ouvir a mãe afirmar a sua indignação com o comportamento da sua cria menor de seis anos, uma criança com ar de assustada cujo único crime teria sido ter sede. Em menos de nada haviam ido embora. Atrás dela todas as outras mães e crianças. E o A Pequeno ficou sozinho, comigo, estupefacta como uma não autorizada pinga de água consegue desconsertar toda uma crise social...

Thursday, September 24, 2009

Aiiiiii!

Não gosto de dor de garganta.

Tuesday, September 22, 2009

O mundo na verdade não vive sem heróis...

Há pouco respirei melhor durante pouco mais que dois minutos. A duração de um telefonema. Hoje é um dia importante. E quando antes descia a rua com o A Pequeno pela mão, olhou-me daqueles olhos bonitos, sorriu, beijou-me a mão e disse-me feliz encostadinho a ela: "és muito fofa!". Depois apercebeu-se que havíamos chegado ao mundo dos baloiços e dos escorregas, soltou-se, correu para a portinhola e, quando dei conta, andava já a defender uma menina polaca empurrada pelos rufias de quatro anos. O mundo na verdade não vive sem heróis...

Monday, September 21, 2009

Da força das pernas

A sensação de mal respirar é atrofiante. Sabemos que os pulmões funcionam, sentimos que o coração vai batendo e nada criamos de obstáculo junto às narinas. Mas a sensação de mal respirar é atrofiante. Em alguns momentos acentua-se e já em outros aparentemente melhora. Quando nos confrontamos com o outro há um click que não se sente e não se vê, mas que nos faz disparar em cada poro uma tentativa de máscara. Não é uma máscara de oxigénio, mas a suficiente para quem a olha acreditar ser credível e respeitar sem questionar. Mas a verdade é que no fim de tudo isto a sensação de mal respirar é atrofiante.

Friday, September 18, 2009

A linha do papel vegetal é boa

Quando colegas me chamam linha e papel vegetal pelos seis quilogramas que perdi em pouco tempo, o A Pequeno acarinhando-me diz que eu sou boa. Não sei se chore ou se ria. Beijei-o e ele sorriu pelos dois. Logo o dia ficou mais bonito.

Thursday, September 17, 2009

De cabeça torta para disfarçar

Não é nada bom procedimento, mesmo se por distracção, sentar em cima dos óculos.

Wednesday, September 16, 2009

Vivo numa camarata

Sempre pensei que como filha única a minha partilha de quarto fosse com o Amor da minha vida. Ainda não. Hoje vivo numa camarata de quatro. Felizmente sem ressonos. Nenhum até agora se queixou. Um chama-se Tobias. Estou certa disso. Os outros dois, segundo o A Pequeno, respondem a Popi e Papi. São todos iguais: o mesmo vermelho, a mesma ligeireza pela água, a mesma fome quando o A Pequeno lhes dá flocos coloridos e cheirosos. Mas pela proximidade dos nomes estou certa que, provavelmente, só estes dois serão gémeos. Há duas noites que os observo. A minha insónia participa no crescimento da conta da luz, mas permite-me controlar as movimentações nocturnas da camarata de forma discreta. Alguém me sabe dizer se estarão de insónia como eu ou se os peixes não dormem?

Monday, September 14, 2009

Zeta

Sete dias passaram.

Os meus dias não se desvelam luminosos, mas teimosamente nascem e me obrigam a sair da cama. Não exigem sorrisos; nem o poderiam. Não exigem forças, mas compensam-se pelo esforço do tentar. Não me pedem garra e aceitam a apatia de cada batida cardíaca.

As minhas noites não se desfazem mais em minutos felizes e horas de sonho, mas teimosamente continuo a sussurrar-me que talvez não faça mal sonhar. Só ainda não consigo sonhar. Nem sei se conseguirei... Sinto-me um Picasso escorrido.


Sete dias passaram com telefonemas e mensagens e e-mails e gente na minha porta e na minha sala e no meu quarto quando não me apetecia sair dele. O A Grande aparece em "busca de companhia" a cada refeição... e eu assim até como alguma coisa, fingindo não saber que é a mim quem procura neste emaranhado do meu olhar triste - sim, esses mesmos olhos que dizem que espelham a alma, os mesmos que me condenam sempre nas minhas emoções. O N liga de todo o lado e diz-me que descanse, talvez por acreditar que dormir repara todo o corpo - eu sou a prova provada que não, porque tudo em mim dói. Em sete dias já me perdi no caminho para casa, já fui à praia, já caí, já esfolei joelho e braços, já enegreci partes do meu corpo fisicamente machucadas e não me lembro de ter sorrido uma única vez. Mas em sete dias voltei às minhas salas, à poesia de Cristovão Falcão que me faz bem. E em sete dias o meu pai achou que salvei o mundo nos sete segundos da caminhada até ao lixo quando o chão era tão mais próximo, em sete dias a minha mãe mediu vezes sem conta - e como se eu não desse por isso - a proximidade dos meus ossos à pele e nos mesmos sete dias fiz o A Pequeno desembrulhar-se em sorrisos de felicidade com a simples ideia de que eu lhe havia enviado beijinhos.


Mas eu prometi-lhe. E eu nunca prometo nada a quem amo que não cumpra. Por muito que me custe. E desta vez quebra-se a cada segundo mais um pouco de mim. Mas eu tento. E avanço. Ou pelo menos tento. Na verdade, nem sei.
Passeio de manhã. Passeio à tarde. Passeio à noite. Entre cada passeio (sobre)vivo. Dizem que trabalho; eu aposto apenas que (sobre)vivo. A cada passo dado mantenho-me distante de mim. Ou penso que sim. Ou acredito que sim. Mesmo se me obrigando a acreditar como me obrigo a comer por um dia ter igualmente prometido em outras terras o mesmo a uma outra alguém que amo como a uma irmã. Passeio de manhã, à tarde e à noite e no vento que me bate na cara acredito estar um pouco mais perto do que quero estar perto e ter por perto, do que sinto, do que desejo, do que sou. Prometi-lhe. E eu nunca prometo nada a quem amo que não cumpra. Por muito que me custe. Pelo menos tento sempre. Por nós. Por te ter comigo sempre. Por viveres em mim em cada batida de um coração - o meu, o nosso, um só coração num corpo de duplicidades. E eu hei-de conseguir. Nós havemos de conseguir. Nós somos mais fortes. Nós somos fortes. Eu e tu. Verdadeiramente. E eu espero...

Tuesday, September 08, 2009

( )

Entre todos os espíritos que habitam a casa onde vivo, há vinte e quatro horas que existe mais um. Eu. Lamento dizer-vos que o vazio não escreve nem (se) partilha e por isso não sei quando nos encontraremos. Não levem a mal. Não é por mal. É só por tristeza. Fiquem bem.

Monday, September 07, 2009

Eu devo ter perdido este botão!?

Como diz o A, "a vida deveria de vir com a opção modo fácil".

Thursday, September 03, 2009

Em conversa

O Amor cabe em qualquer lado; não precisa de espaço nem de tempo - precisa apenas de vida.

O dia do pastel e o dia do croquete

Quando Agosto se espraia em Setembro o ar perfuma-se. Só dá conta quem anda nestes corredores cor de céu, quem se encena nesta azáfama, quem vê as malas semifeitas, quem se encontra com o ralador da carne ou o polme do pastel junto aos ovos batidos para a sobremesa. A insignificância do meu leite de soja contracena com as chouriças e o bacalhau, os fritos que me dizem que não coma e que eu aspiro pelas narinas quando já cozinhados na frigideira para que nem isso me falte na vida.
Estes são os dias do pastel e do croquete, os dias em que dá jeito cada lasca de carne que não toco no prato, cada rodela de chouriço que ninguém meteu no caldo verde e o tempo vagaroso que se estende num dia quente. O telefone toca de voz incessante e, no outro lado, numa outra ponta deste país, recordam-se as contas feitas aos pastéis e aos croquetes, aos bolos de laranja, ao arroz de doce a cozer e a fazer jazer por horas determinadas nas travessas abrilhantadas de canela, ao leite-creme a queimar nos aromas do açúcar e do caramelo, aos ovos que as galinhas põem para isto tudo e às idas e vindas dos super mercados mais próximos. E nos entretantos de tudo isto lá estão as mãos e as colheres a enrolar e a moldar os pastéis e os croquetes.
As gentes da aldeia são assim. Mesmo na vila ou na grande cidade. As gentes da aldeia são assim e ainda bem. São as que arranjam num ano corrido as casas e os portões e os muros para os dois dias de festa, os que têm sempre cama para mais um ou mais dois ou mais três ou todos os que apareçam, aqueles em cuja mesa nunca há fome porque a fartura é de alegria e trabalho, aqueles que não têm idade porque se eternizam em lembranças.
A minha tia P é gente da aldeia, é gente da vila, é gente da cidade. A minha tia P é uma Senhora. Daquelas com S bem maiúsculo como as que só em Senhoras como a minha mãe encontro. É a tia P quem nos desperta com as histórias das azeitonas em Outubro e nos acorda com o sabor a feijoada por alturas de Novembro, com os barulhos das panelas das couves e do bacalhau em Dezembro, com a fumarada do leite-creme em Janeiro e em Fevereiro com o doce do arroz. É a tia P quem faz a primavera mais primaveril com as tortas de laranja em Março, as sopas aveludadas em Abril e as lulas em molho de tomate em Maio. O verão de Junho refresca-se nas saladas de atum, nas sopas frescas de feijão verde que presenteiam o início das férias escolares e no empadão de Agosto. Na verdade, as feijoadas não são só Setembro nem o leite-creme é Janeiro. Nada é nada porque é tudo e em qualquer altura. Afinal, a minha tia P é gente da aldeia, é gente da vila, é gente da cidade. Nada tem prazos nem datas fixas. Tudo na tia P é generosidade e os pratos - como tudo nela menos o seu luto - tem todas as cores.
Mas Setembro é sempre o dia do pastel e o dia do croquete, das conversas sobre as festas, a igreja em obras, os santos que saem à luz do dia em imagens carregadas a ombros pelos homens. Às mulheres deve caber apenas o afazer das cozinhas. A todas essas mulheres que, como a minha querida tia P, têm a generosidade de ser gente da aldeia, gente da vila e gente da cidade.

Com a pena na mão e o "credo" na boca

Nem sempre os caminhos mais fáceis são os que mais valem a pena com que se os escreve. Muitas vezes são percursos mais assustadores, daqueles em que cada sombra não nos descansa do calor, mas arrepia a alma até ao seu mais profundo; daqueles em que tudo nos é desconhecido e um suspiro arrastado no confronto. Nem sempre os caminhos mais fáceis são aqueles que se espelham da nossa mente e nos orientam. O inesperado de que me falaram em tempos voltou a aparecer pelas minhas bandas - que para o inesperado devem ser magnéticas, diria - e o que tenho a fazer tenho a fazer por minha conta e risco, no todo que esse risco implica e no que estou disposta a correr. Nem me quero perguntar se estou disposta a corrê-lo. Vou lançar-me apenas a ele. Com a pena na mão e o "credo!" na boca.

Monday, August 31, 2009

I cross my heart and promise you will be...

Abrindo as asas...

Uma só vida parece pouco...

"Uma única vida é pouco. O rosto é demasiado rápido a mudar nas fotografias. As crianças imaginam tantas coisas acerca do mundo e, mais tarde, percebem que não conseguiram imaginar aquilo que era mais importante.
(...) Uma única vida é pouco. Para se fazer aquilo que se sabe e se pode e se quer e se deve fazer é preciso deixar muitas outras coisas para trás. Essa é a conclusão a que se chega logo no fim da adolescência."
- José Luís Peixoto

O pincel azul aterrou aqui

Sou loura pela primeira vez. Deveria dizer pela segunda já que quando a carecada com que nasci se semeou o fez de tons de oiro. Mas aqui nada se coloriu. A dizer, que se diga antes que perdeu a cor. A verdade é que mal me consigo olhar no espelho e, quando arrisco fazê-lo num momento quase de loucura, não me encontro porque quem vejo não devo ser eu. Há cortes que nos cortam mais que imaginamos. A esperança que fica é que quem gosta de nós goste da mesma forma. Só isso vale. Só isso conta.

Friday, August 28, 2009

Quem fala assim não é gago

"For me, personally... To act with my clothes on is a performance; to act with my clothes off is a documentary." - Julia Roberts

Monday, August 24, 2009

Quem não tem cão trata de gata

O meu vizinho do andar de baixo tem uma gata. A gata do meu vizinho do andar de baixo encontrou, entretanto, o gato da sua vida e rapidamente o prédio se brindou com três gatinhos. Quando demos conta tínhamos o mundo dos gatos a viver mesmo por baixo do nosso.
O meu vizinho do andar de baixo tem uma gata que com o gato da sua vida - ou um deles que isto com as gatas nunca se sabe muito bem... - teve três gatinhos. Mas o meu vizinho do andar de baixo tem também férias e as férias do meu vizinho são só dele. Hoje mais uma vez fui alimentar o mundo dos gatos do meu vizinho. Uma lata por cabeça num miar impressionante de agradecimento num roça-roça infindável nas minhas jeans que de lavadas foram dar banho às pulgas no tanque mais próximo.
O meu vizinho do andar de baixo tem uma gata. E eu, temporariamente, tenho uma gata-dependente-de-mim.

Saturday, August 22, 2009

Pinho-mel

Sento-me numa cadeira que não é minha; apenas igual àquela que me preenche o possessivo. Sento-me a uma secretária que não reconheço, despida como se nua de outras horas passadas, de barriga quase encostada ao som do teclar dos dedos nas palavras que se deixam construir pelo rasgar de pensamentos. Engano o tempo ou, talvez, me deixe assim enganar por ele. Há tantas coisas que nunca percebemos! Que faço eu numa secretária que não é minha, mas que se despe perante mim para me receber? Que faço eu numa secretária onde não vou colocar nada que seja Eu se não mesmo a minha pessoa, vestida pelo tempo que arrasta o tempo quando os pensamentos se embranquecem de ideias?
Eu pensava sentar-me aqui e neste desconforto do desconhecimento possibilitar-me conhecer, rascunhar qualquer coisa, elogiar a eloquência, talvez pensar vagamente na direcção mais certa. Limito-me a estar sentada. Limito-me a descer e a subir a altura da cadeira como se isso de alguma forma me enormizasse. Mas não... Nem a mente. Nem o espírito. Só mesmo o corpo. Este que aqui fica vestido pelo tempo na cauda que vai deixando no seu arrastar.

Hmmm... II

Sonhar. E às vezes sonhar é poder sonhar verdadeiramente.
Às vezes sonhar verdadeiramente é poder ser feliz.

Friday, August 21, 2009

Hmmm...

Perguntaram-me esta manhã quais são as minhas favorite things. (estou pensando!!!!)

Tuesday, August 18, 2009

Movimento Perpétuo Associativo

Em Abril a revista The Economist recomendava a Portugal investimento na mão-de-obra. Ao ler estas palavras, sorrio e lembro-me da grande voz da Ana Bacalhau cantando a canção mais intemporalmente portuguesa...

Porque não há duas sem três - outra sugestão de leitura



Um inquérito patrocinado pelo New York Times há cerca de três anos considerou esta obra de 1987 como sendo a melhor obra literária dos últimos 25 anos. A autora, que se disse ao jeito de Woolf como "uma escritora mulher e negra", venceu os Prémios Nobel e Pulitzer, entre outros dos mais prestigiados prémios literários. Beloved é o primeiro de uma triologia que se completa em 1992 com Jazz e em 1999 com Paradise.

A Guerra da Secessão americana como em E Tudo o Vento Levou de Mitchell numa perspectiva que dá prazer e estômago descobrir.

O que fazemos e como o fazemos é réstia da Antiguidade Clássica?

Dizem ser o livro do ano de 2009

Sunday, August 16, 2009

No país dos Agostinhos

Agosto é mês de férias; aquelas férias que eu não gozo por vários motivos. Agosto é mês de havaianas às bolas; aquelas que eu não calço por vários motivos. Agosto é mês de sestas; aquelas que eu não durmo por vários motivos. Agosto é mês de bares; aqueles que eu não frequento por vários motivos. Perguntam-me vocês que Agosto é então o meu? Sei-o eu e de nada me queixo, acreditem. Em quinze dias os Agostinhos voltam cabisbaixos ao trabalho e eu, voltando, é com a leveza de Agosto - aquela que nem sempre se sente por vários motivos - num Setembro que dizem que vai ser de cheiro a verão.

Thursday, August 13, 2009

Paris também tem este encanto

Sempre o imaginei como um Pai Natal. Não pelo preto das roupas pela perda ofegante de uma das vidas que gerou. Pelas barbas. As mesmas barbas que há anos espero que cresçam um pouco mais e se tinjam de branco. A idade justificá-lo-ia. Não é velho. Não como o verdadeiro São Nicolau. Mas tem uma idade simpática para a neve ir cobrindo o rosto.
Ainda hoje e do alto da minha idade o vejo como um Pai Natal. Não pelo preto das roupas. Também não apenas pelas barbas que afinal nem são brancas. Talvez pela barriga. Nem preciso de fechar os olhos para imaginar os seus netos a dormitarem sobre ela, aconchegados no carinho.
Acho que é por isso que sempre o imaginei como um Pai Natal. Não pelo preto das roupas. Também não apenas pelas barbas que afinal nem são brancas. Talvez pela barriga. Essencialmente pela sonoridade do seu sorriso, pelo brilho generoso do seu olhar, pela festa na sua voz, pelo seu coração gigante e educado. Sempre o imaginei como um Pai Natal. O meu primo R.

Wednesday, August 12, 2009

A ciência quando é estranha

«Uma pesquisa da Universidade de Duke, da cidade de Durham, no Estados Unidos da América, indica que um homem de Neandertal pode ter sido morto por humanos modernos num confronto ocorrido há mais de 50 mil anos.
O estudo dá pistas de que os humanos modernos podem ter contribuído para o desaparecimento dos neandertais.
Os investigadores analisaram o esqueleto de um neandertal chamado Shanidar 3, um dos nove neandertais descobertos entre 1953 e 1960 numa caverna no nordeste do Iraque. Shanidar 3 foi morto entre 50 mil e 75 mil anos atrás quando tinha entre 40 a 50 anos de idade.
No esqueleto foi identificado um ferimento profundo que atingiu uma das costelas no lado esquerdo. Segundo os cientistas, este ferimento pode ter sido causado por uma lança usada pelos humanos modernos, mas não por homens de Neandertal.
"O que temos é um ferimento na costela com uma série de possíveis explicações", afirmou Steven Churchill, professor associado de antropologia evolucionária na Universidade de Duke, citado pela BBC., acrescentando que “não estamos a sugerir que aconteceu um ataque relâmpago, com humanos modernos a marchar pela terra e executando homens de Neandertal".
"Acreditamos que a melhor explicação para este ferimento reside na utilização de uma arma que pode ser lançada e, levando em conta os que a tinham e os que não tinham, isto implica em pelo menos um acto de agressão entre as espécies".
Na pesquisa, Churchill e os seus colegas usaram um arco e flecha especialmente calibrados, cópias de antigas pontas de lança feitas de pedra e várias carcaças de animais para chegar a esta conclusão.
O estudo foi divulgado pela publicação científica Journal of Human Evolution.
A investigação não conclui, no entanto, de forma definitiva quem foi o responsável pela morte de Shanidar 3 ou qual foi a razão.»
fonte: msn

A ciência

«Descoberto processo imunitário que pode ajudar no tratamento de várias doenças
Cientistas argentinos descobriram o mecanismo que interrompe o sistema imunitário humano, o que poderá ser a base para o desenvolvimento de tratamentos contra o cancro, diabetes e esclerose múltipla.
O grupo de investigadores, liderado por Gabriel Rabinovich, encontrou "as engrenagens moleculares" que fazem com que o sistema imunitário seja desactivado e permita, por exemplo, a expansão de células cancerígenas, afirmou um comunicado do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) argentino, citado pela agência Efe.
A descoberta é fundamental para o desenvolvimento de terapêuticas contra tumores ou doenças como a esclerose múltipla, a artrite ou a diabetes, entre outras, que surgem quando o sistema imunitário age sem necessidade e ataca os próprios tecidos, explicaram os pesquisadores.
"Este circuito capaz de silenciar o sistema de defesa é conhecido como 'tolerância imunitária’. Esta indução de tolerância tem uma importância-chave para evitar o desenvolvimento de doenças auto-imunes e de promover a aceitação de transplantes", afirmou o Conicet.
O trabalho, publicado pela revista científica britânica "Nature Inmunology", começou em 2003 através de testes realizados com células humanas e ratos. »
fonte: msn

Friday, August 07, 2009

Como alguém disse...

A saudade é o amor que fica.

Tagliatelli como fuga ao habitual

Tagliatelli com molho de manjericão e camarão. O almoço. Alourados os quatro dentes de alho no azeite, juntam-se os 400 gramas de tomate triturado. À parte, cortam-se de forma grosseira cerca de 50 a 100 gramas de pinhões e deixam-se tostar salteando. Juntam-se os pinhões ao molho de tomate e um pouco de manjericão picado. A massa? Essa coze-se à parte e quando no ponto escorre-se para uma taça. Deita-se então o molho por cima ainda quente. Depois é juntar os camarões à vontade de cada um (cozidos e com ou já sem casca). Bom apetite!

Monday, August 03, 2009

Férias 0 - Catarina 1

Não me perguntem por férias. Eu não tenho férias. Tenho uma vida por construir. Bloco a bloco, traço a traço, nas misturas do cimento que se espera pouco aguado. Às vezes, parece faltar tempo de espera para deixar solidificar e o risco de tentar mais é sempre um risco de traço denso. Mas não me perguntem por férias. Tenho uma vida para construir. Nem sonho com ela. Mas partilho-a. Partilho com quem quiser partilhá-la e estiver disposto a esperar que o cimento seque. Não me perguntem por férias. Tenho uma vida por viver. Não tenho dias; tenho segundos, minutos, horas que passam a escorrer entre os dedos da mão em partilha com os entre dedos dos pés com a areia fina de lugar nenhum. Não me perguntem por férias. Tenho toda uma vida para viver. E as férias desta alguma vez têm de (finalmente) acabar...

Wednesday, July 29, 2009

Há anos que queria fazê-la

A volta a Lisboa de descapotável.

Tuesday, July 28, 2009

Estas coisas das coisas

Eu não sei como os dias se entrelaçam uns nos outros. Nem sei como as pessoas se cruzam entre elas. Não sei como em encontros e desencontros o tempo se consome. Às vezes eu sei que não sei nada de nada. Muitas vezes nem me importo. Algumas vezes preocupo-me. Chego até a sentir vergonha por vezes.
Mas este não saber inocentemente não inocente foca-me a vida e leva-me a vivê-la. Primeiro, fez-me correr atrás dos dias e a perseguir as noites; depois, fez-me saber que afinal nada nos foge, nem mesmo quando o queremos, e que tudo fica ali bem pertinho e à mão de semear. Às vezes só não sei como semear esse quê. Também não me pergunto. Não me atrevo a perguntar. Nem a mim nem a ninguém.
Em tempos eu também achava que sabia o que eram saudades. Hoje tenho certeza disso. Mesmo não sabendo como os dias se entrelaçam uns nos outros ou como as pessoas se cruzam entre si. E as saudades semearam-se não à mão de semear mas bem aqui dentro onde vivem.
Por isso, descruzei os braços esquecidos junto ao peito como se o acalentando e escrevi este desabafo ao lembrar-me de ti.

Tatuagem

Summertime... the living is easy (so they say)

É juntar um centilitro de sumo de limão, três de sumo de laranja e outros três de sumo de ananás, mais três centilitros de sumo de pêra e outros três de sumo de alperce e ainda um centilitro de groselha. Um pouco de gelo. Fechar o shaker e agitar tudo muito bem. Tudo num copo bem fresco, uma pitada colorida de groselha e servir de imediato e bem fresco.
É uma viagem a S. Francisco no cocktail de cidade.

And I just can't take my eyes of you...

Tenho um friozinho na barriga. E isso é tão bom :o)

Friday, July 24, 2009

Quem não tem cão, "aprende" com gato

"Com mais seis meses de prevenção da gripe A, vamos tornar-nos um povo muito mais asseado."
Catalina Pestana (hoje, jornal Sol)

Uma senhora


Ninho

É no colo que encontro a liberdade. No teu. Esse que me solta de constrangimentos e receios, que me fortalece e alimenta.

Monday, July 20, 2009

Estou assim em meio hoje...

- fotografia de autor desconhecido -

Sunday, July 19, 2009

Depois de António, João e Pedro...

As casas pintam-se para os arraiais de Agosto pelas mãos dos novos, que refilam mas vão fazendo, que bebem mas já não absorvem. Os mais velhos novos de outrora olham-nos pelo canto do olho no intervalo do carro que passa e, entre a nova equipa vermelha e a falta de dinheiro, soltam palavras que ninguém na verdade consegue perceber. Dois trocam galhardetes em Esperanto, esquecendo a Terra que os esqueceu a eles em reformas apertadas e jornadas de oito horas aos oitenta anos. Os jovens continuam a pintar e aprumam-se quando passam as miúdas casadoiras, mas já não levantam chapéus em tom de respeito. Talvez porque as mãos estão sujas. Talvez porque hoje já ninguém se preocupa com o sol ou com a elegância ou com o respeito. No chilrear dos pássaros passa a banda perfilada, soprando nos sopros e tangendo as peles da percussão, pedindo as esmolas para as fardas que o povo está financeiramente disposto a dar. Na salinha da capela as mulheres reúnem-se. Falam da vida e da morte e das comidas em Agosto para os bailes. Uma pede mais pimenta para puxar à pinga. O vinho a copo e a loura sempre se venderam bem. Outra requer braços para servir que os dela ainda do ano passado se lembram.

Só ainda ninguém falou dos santos e dos anjos que engalanados escutam do seu canto em sossego. Ninguém fala deles ainda. Porque ao chegar a Agosto tudo o mais é passado e só eles importam nos foguetes que rebentam, nas missas que se oram, nas emoções que deslizam pelos rostos e na paz que se sente por dentro.

Saturday, July 18, 2009

Conversa tarde na noite há dois dias atrás

Uma: Ainda não conseguiste acabar o artigo! Eh pá, boa sorte!
A outra: (atordoada de sono) Acho que não preciso só de sorte, amiga... Preciso de uma insónia!!!!

Há dias em que me sinto assim

- fotografia de autor desconhecido -

Thursday, July 16, 2009

Entre o ir e voltar

Sabem quando acordamos de manhã e parece que o mundo ainda dorme na sua plenitude?
Mas há sempre um autocarro para apanhar para algum lado. Há sempre algum sítio destinado. Há sempre um lugar onde chegar e um outro de onde se começa a partir.
E havemos sempre nós - aqueles que se voltam para o outro lado e apanham correndo a carris na paragem seguinte. E há quem fique a ver já da paragem de destino sem poder dizer coisa alguma.
Foi o que senti ontem. E é o que sei hoje.

O almoço foi a la manière de...

e foi de agradecer a Santos ;o)

O meu amigo A anda atiradiço


Eu depois pago-te os direitos, amigo.

Wednesday, July 15, 2009

Lição de hoje

Não ataquem uma melga no duche. Acreditem, não estão vestidos para isso.

Sunday, July 12, 2009

Duelos ao sol da tarde

As onze da manhã trouxeram o ruído dos carros que foram chegando, estacionando e se deixando estar ali na quietude da busca de alguma sombra. De dentro dos carros sairam índios, princesas, piratas, cowboys, aventureiros e moderados, na ansia de primeiro começar a correr pelo meio das ervas e das flores e de toda a Natureza que se agita ao adivinhar a sua presença. As onze da manhã trouxeram os adultos de ar cansado para mais uma reunião familiar em que as mulheres vão pondo e levantando a mesa e os homens vão chamando por elas quando se afastam na direcção da cozinha.
O meio do dia trouxe as entradas e de saída os peixes cheirosos de ervas finas, as batatas acompanhantes, as saladas coloridas e a fome roncando das barrigas que aguardam. Outros minutos mais adiantados trouxeram nas ondas das conversas agitadas a gulodice das sobremesas nos pudins, nas mousses, nas frutas banhadas em sumos naturais e iogurte e a vontade de provar até rebentar cada um deles.
O início da tarde trouxe a moleza e a vontade de nada fazer, as mulheres que se entreajudam e os homens que conversam em torno de uma garrafa de aguardente sob o aroma de café colombiano comprado em Portugal.
As sestas das crianças refrescaram o ambiente nos silêncios comprometedores e, de repente, da abertura das pestanas abriu a época da caça ao esconde-esconde e da apanha dos pães com doce e dos sumos da tia. Aos adultos trouxe a inactividade e aquele refilar popular pelas bolas que saltitando se aproximam ora das suas cabeças ora das janelas da habitação mais além.
Começa a cair a noite, o fogo é aceso e acende a energia de cada um. As crianças correm fugindo da sopa, refilando como se embrenhadas num poder determinado de decisão e feitas com as razões absurdas de quem se alimenta ainda de imaginação. Chegam à mesa os assados do barbecue, o tio que chama a todos ao petisco, os pais, os filhos, os sobrinhos, os afilhados e todo aquele mundo que se fora dispersando pelos lugares ainda vagos da mesa.
Já na noite cantam os grilos, conversam os homens, as crianças dormitam, as brincadeiras descansam e esperam pelo novo dia e as mulheres entreajudam-se arrumando a cozinha e pensando já nos afazeres do novo dia que se avizinha.
Quando a cavalaria se afasta ao colo dos progenitores e o silêncio cai sobre cada grão de terra de todo aquele espaço eu regresso ao passado desse futuro que ali vivo. E sorrio. A terra despida, para mim, só ganha vida na poeira dos duelos ao sol da tarde. E só assim é fértil de futuro.

Thursday, July 09, 2009

Um Bb é como um xanax talvez...



Apesar de ser desse tempo, acreditem que já hoje me questionei mil e uma vezes como é possível viver sem telemóvel. Isto de aguardar que o meu toque tem as suas coisas...

Wednesday, July 08, 2009

H não há, esperemos

Pelo H1N1 bem longe de mim já medi hoje a febre doze vezes.

Tuesday, July 07, 2009

Sim, Carrie, nem sempre o Pai Natal existe

Sim, Carrie, hoje era um bom dia para recolher numa maleta dúzia e meia de coisas e fugir. Apanhar esse comboio por um paraíso qualquer encolhida na protecção de quem se quer ao nosso lado. A Natureza como cenário perfeito, o toque que se deseja como sensação.
Era deixar para trás as listas infindáveis onde parece que ficamos quase para último, onde nos sentimos deslocados da vocação numa realização que se faz feliz por outros meios quando, de repente, nessa constatação, nos passa pela cabeça a sensação de que são os progenitores quem nos afasta da sala e o abraço de uns pais inesperados (e inesperadamente maravilhosos desde o primeiro milésimo de segundo) quem nos recupera à vida.
Era deixar para trás as pautas com as músicas das notas daqueles que acreditaram em nós quando por vezes só nós parecemos acreditar neles.
Era deixar para trás a escolha do ouro quando se deseja prata pela possibilidade de uma réstia que nem sabemos descrever.
Era deixar para trás as pilhas burocráticas que a vida nos coloca na frente e as deadlines atrevidas que nos desconfortam.
Sim, Carrie, hoje era um bom dia para mesmo sem maleta fugir. Apanhar esse comboio por um paraíso qualquer encolhida na protecção de quem se quer ao nosso lado. A Natureza como cenário perfeito, o toque que se deseja como sensação.

Sunday, July 05, 2009

Samantha nas Bahamas

Sigo as linhas escritas por Samantha como todas as outras linhas escritas naquela página. Conta da viagem às Bahamas, da entrevista a Shakira, da simpatia da cantora e de um comportamento de pessoa comum. Lembro-me de outras palavras trocadas com a T que me diz ainda conseguir encontrar algum sossego de flashes quando na Europa e, como em tempos, que as compras quotidianas para a casa são feitas pela madrugada de óculos de sol e de boné para que não a façam passar à frente na fila, lhe carreguem as compras, lhe peçam autógrafos ou mais uma e outra fotografia em três pixeis num telemóvel.
Na verdade, acho que nunca consigo perceber muito bem como se pode tentar ter uma vida comum quando somos seguidos como guiões teatrais e quando o mundo não se estende para que possamos ir fugindo por ele. Ainda bem que a T continua a fazer as compras para a casa e a cozinhar e a fazer camas e, talvez, a estender e a passar a roupa a ferro. Ainda bem que a Shakira partilha de bom grado o pó da cara e tenta falar em português e tira fotografias para a posteridade... Há que ser feliz. Sempre à nossa maneira.

O que sabem as mulheres felizes

Há quem diga que são seis as armadilhas que comprometem a nossa felicidade: perfeccionismo, desejos extravagantes, querer sempre agradar os outros, a vingança, o pensar que nada somos sem alguém e a obsessão pela carreira. Bem, a editora é a Estrela Polar... Há-de haver alguma orientação nisto, não?

Thursday, July 02, 2009

Em dois dias com um de intervalo

Descreveram-me um parto. Acreditem, isto não é coisa que se descreva a mulheres. Mostraram-me cenas de um parto. Acreditem, realmente, que isto não é coisa que se mostre a mulheres. Não mulheres em idade fértil. Não mulheres que pensam ter filhos. Não mulheres assim como eu que tremem só de pensar, neste momento, em agulha e linha e pontos.

Wednesday, July 01, 2009

Status: climbing

There is always gonna be a mountain. So it seems.

Monday, June 29, 2009

Gargalhar quando calhar


lol Sinto-me capaz de rir em gargalhadas longas com as mensagens trocadas e telefonemas feitos na espera do nascimento do M, filho da C. Algo me diz que será sempre rapaz bem comportado - até para nascer foi obediente. No dia, na hora, na rapidez... Acho que até a C concordará comigo.


É tão bom saber que nos rodeiam crianças. Hoje o M da C, há uns dias a E sobrinha da F. Há todo um novo abecedário estes dias... e um sorriso aparvalhado na minha cara com tudo isto.

Saturday, June 27, 2009

A registar

Poderia dizer assim simplesmente que uma boa parte desta quinta-feira haveria sido a repetição na minha vida do Mamma Mia no Pavilhão Atlântico. Tenho de renegar tamanha façanha para segundo plano. Apesar da dança, da cantoria, da loucura com umas centenas ou milhares de pessoas num Dancing Queen ou num Voulez-vous ou em outra música qualquer. Em primeiro - primeiríssimo lugar - há que registar o soluço do Miguel direitinho do esconderijo da barriguita da mãe à minha mão. Como diria alguém que conheço, "há coisas fascinantes, não há"?

Uma questão de trepar

O meu amigo A lembra-me regularmente na sua particular forma de manifestação de inteligência que "os macacos não nascem a saber trepar às árvores". Meu caro amigo, acredita que tudo se aprende. Podem os humanos não saber verdadeiramente trepar, mas, só para que saibas, esta tua amiga hoje aprendeu rapidamente a trepar paredes!!!! Que dia!

Wednesday, June 24, 2009

Sabedoria E. R.


E eis que uma sábia voz masculina comenta politicando que se o mundo fosse justo, enfermeiros, professores e bombeiros teriam ordenados de jogador de baseball e de estrela de televisão. Aqui me confesso: parecer-me-ia muito bem :o)

Tuesday, June 23, 2009

Às vezes acho que já não existem miúdas assim

Sempre que a M se eleva em notas escolares, o meu coração sorri de orgulho e com o ar de vencedora inesperada que coloca na humildade do seu rosto. Contrariamente a muitos que esperam a playstation, a ela chega-lhe uma bolsa inesperada de princesas da Disney achinesadas e a promessa de uma possível ida ao cinema um dia destes...

Sunday, June 21, 2009

Wishing list para hoje

Não peço muito. Quero uma cama. Daquelas que não rangem, não tremem, não desconversam no nosso descanso. Quero-a revestida de lençóis frescos, limpos, perfumados na lavagem de sensação de novidade que dão. E uma janela... Uma janela aberta para qualquer coisa que não prédios de mãos e mãos de andares.
Quero igualmente que os meus instrumentos de contacto se silenciem na sua mudez ocasional, que não toquem nem dêem sinal nas próximas horas com gritos das listas de trabalho em espera. E, se possível, quero ganhar um euro por cada trabalho que vou fazendo... Algo me diz que, no final, seriam os euros suficientes para pagar a cama que tanto anseio...

For Colby Curtin... e todos os miúdos

Thursday, June 18, 2009

He no longer is... Girls, he no longer is.

O fresco que aí vem...

Uma pauta que não fica em branco...


Nem mesmo depois do adeus, a música deixa de tocar e a memória do Maestro José Calvário se silencia. Perde-se o futuro do génio o que se ganhou no passado não tão distante assim.


Maestro José Calvário

1951 - 2009

Wednesday, June 17, 2009

Hoje está um quente dia de sol...


Mas poderia muito bem estar assim...

Monday, June 15, 2009

Parábola

Olhar-te hoje é parar o tempo naquele segundo. É esperar que os teus dedos toquem para que, tocada, a realidade se grite real. Olhar-te hoje é perguntar como tudo isto aconteceu sem, na verdade, sentir necessidade de o saber. Olhar-te hoje é perguntar secretamente dentro de mim mil e uma vezes sobre o amanhã com receio de que não chegue na nossa sintonia. Olhar-te hoje é perder-me nesse olhar sem saber onde te encontro, sem saber o que dizer nem como dizê-lo. Olhar-te hoje é olhar-te olhando-me no reflexo dos teus olhos e (re)descobrir-me.

Sunday, June 14, 2009

O fim de semana de Santo António...

...foi dado por encerrado. As pernas não aguentam mais e demitiram-se do cargo por algum tempo.

Existem apenas duas maneiras de um homem amar verdadeiramente uma mulher: é quando se torna o melhor amigo dela e depois se apaixona; ou quando se apaixona e depois aprende a ser o seu melhor amigo...



(Eu sei que é piroso... mas hoje apeteceu)

Wednesday, June 10, 2009

Wherever, whenever... the case

"Some cause happiness wherever they go; others whenever they go."
- Oscar Wilde -

Feriado não ;o)

A Rosa diz que ao levantar é para levantar logo. Ai, mas hoje custou tanto...

Friday, June 05, 2009

Thursday, June 04, 2009

Medidas de trabalho

Ele - O trabalho mede-se em quê? Lembras-te?
Ela - (rindo-se amistosa) Em cansaço?

São essas mãos nas minhas

Acordo mirada pelas olheiras de mim mesma quando me cruzo com o espelho no caminho para a casa de banho. Deito os olhos ao telefone em busca de marcas de interesse de alguém. [A vida por vezes volta-se tão depressa e em outras repousa tão sossegada...] A lista está a zeros. Também assim parece o meu depósito de energia. Por vezes parece que não recarrego durante a noite. Lanço o telefone móvel para dentro da mala, a carteira e um ou outro cartão que acredito ter de usar hoje. Guardo a garrafa de água que responderá à minha sede. A esta hora já sei que os cartões não se usam mais - que o melhor é ficarem na carteira para uma qualquer surpresa inesperada - e que uma garrafa apenas nestes dias só me torna sedenta de mais. Entre uma e outra mordida do pequeno-almoço obrigo-me à tortura de mais um grande-tremoço de uma marca qualquer genérica. Fecho os olhos e imagino-me a comer smarties sonhando não ter náuseas em manifestação já nos próximos cinco metros de corredor. Falo com um amigo que meticuloso me liga e respondo às sms de uma amiga, entre um rol de outras de trabalho. Arrependo-me da minha ausência na reunião que não me senti capacitada de enfrentar, mesmo se consciente das razões que o ditaram. [A minha cabeça parece andar a mil à hora e os meus pés a meros dez... Tenho suspeitas nas batidas do coração.] No meio do rebuliço lembro-me do prato do tio Z que se quebrou nas andanças do metro, do olhar entristecido como se esquecido por trás do bigode, das palavras que queria ter dito mas que não se faziam ouvir nos meus lábios. Lembro-me que mais-um-pouco-de-me-lembrar-de-outras-coisas e me atraso. Não quero isso. Atiro então a bolsa das canetas de várias cores para a mala. Sinto-me certa que pintarei com elas o meu dia. E desço a Avenida sabendo subi-la em algumas horas, crente de que a cada passo dado mais perto estou do meu destino. Agora, enquanto escrevo - já horas passadas envolta em papéis e maquinetas e pessoas menos ou mais sedentas de conhecimento e informação -, olho para os pés. Aprecio os sneakers novos. Vejo as suas cores. E pergunto-me se não estaria meio louca [ou drogada pelo comprimido] para os ter calçado na rapidez das notas de banco que deslizaram da carteira para o pagamento. E olho também para as mãos. Vazias. Mas certas de abraçarem daqui a pouco as mãos que me seguram calorosas em trocas de mimo medicinais...
Lembro-me então que nas descidas e subidas da Avenida não são as canetas de cor que me pintam a vida; são essas mãos que a seguram.

Baby you can come to me...

Apresento-vos Lauren Lucas.